27.2.14

Prepara...

Imagem daqui
... que agora é a hora do show das poderosas!
Esta foi a música favorita para o bailinho de carnaval do 1º ano. Nada de "Mamãe eu quero", nada de "Arlequim".
Tive que solicitar ao professor de informática para gravá-la, pois sabem a coreografia direitinho. Eta turminha moderna e afoita!
As fantasias foram outra história: há quem vá comprar a sua, quem aproveita aquela do ano passado e aqueles que eu ensinei a fazer com toalha e lençol velho, saco de lixo.  
As máscaras, eu deixei pré-fabricadas no finalzinho do ano passado, já prevendo o agito dos miudinhos. Amanhã, logo cedo, darão o toque final, e depois é só folia.
Sempre mandamos recado à família, informando sobre o bailinho no horário de recreio, e pedindo autorização. Duas mães não permitiram que os filhos brinquem, então ficarão com os estagiários, jogando ou assistindo TV.
Sempre tivemos famílias evangélicas, que não permitem carnaval, festa junina, e se incomodam até mesmo com papai noel. Nem por isso as crianças precisam faltar, há alternativas não discriminatórias.

26.2.14

Mesomórfico

Para manter o peso ideal, tento seguir 10 passos importantes:
1- conhecer e compreender minha compleição física, estatura e estrutura óssea. Uma mulher com o biotipo estilo "copinho de sorvete", com muito busto, ombros largos e deficiência de nádegas, costuma acumular gordura abdominal e não deve exigir-se um peso tão reduzido. Mulheres de ancas largas apresentam gordura disfarçada.
Numa compleição corporal, observa-se a circunferência do punho não dominante e a altura. Eu, por exemplo, tenho o punho esquerdo fininho e sou de altura mediana (1,68); sou também "ancuda", estilo violão, então tenho a gordura corporal mais distribuída, não tão concentrada no abdome; meu peso ideal deve ser o menor da tabela (há tabelas na net).
2- As 6 refeições diárias (ou 7), comendo a cada 2 h 30 ou no máximo 3 h, para regular a insulina e queimar gordura. Legumes diversos  e carnes grelhados são deliciosos e magros. A berinjela, após repousar 15 minutos em água e sal, apenas aberta ao meio no sentido longitudinal, vira dois bifes vegetais, regados a azeite, e custa muito pouco.
A sardinha, sem nenhum tempero, é rapidamente grelhada, e ingerida lentamente, causa saciedade e fornece gorduras do bem. Frango sem pele e outras aves são rápidos e saborosos, temperados com ervas diversas.
Frutas nos dois intervalos e iogurte com granola na ceia, eliminam a ansiedade e compulsão alimentar. Eu gosto da sardinha pura na minha ceia, após sopa de legumes (e carne usada como temperinho) ao jantar. Prefiro uma sopa quentíssima, mesmo no verão, em vez de salada; cada qual observe seus estilos.
3- Ingerir ao menos 8 copos d'água (300 ml) por dia. Para não lacear o estômago, dividir em duas porções com intervalo de meia hora, sempre entre as 6 refeições, em jejum (com gotas de limão) e ao dormir. 
Minha água 1 hora após o jantar, é com caldo de canela (sem aquecer), para meu metabolismo não cair tão cedo, visto que acordei às 5 h 00. Amenizou minha dor lombar, por desinflamar. Líquidos devem ser ingeridos entre as refeições, e não com elas (evita lacear o estômago).
4- Observar-se. Nosso melhor psicanalista pode ser nós mesmos; um estado emocional equilibrado auxilia o emagrecimento. E ser discreto, apesar da vontade de compartilhar vitórias: comentar muito a reeducação alimentar faz com que sejamos alvo de boicotes e piadinhas.
5- Exercícios físicos para queimar e ganhar massa, ao menos meia hora por dia, 4 vezes por semana. Se for caminhada, ir sozinho e de boca fechada para favorecer a respiração; acelerar a cada vez, contudo mantendo um certo conforto, sem ser passeio - sentir  fisicamente o esforço. 
Eu corro meia hora por noite (4 km), cinco noites por semana, inclusive  sextas, sábados e domingos - que são as melhores noites, com menos trânsito na pista. Não perco o conforto de um trote leve, acelero apenas na última das 5 voltas.
6- Observar a pirâmide alimentar (ou similar), para ingerir carboidratos: cereais integrais; vitaminas: frutas, legumes e verduras; proteínas: leguminosas (feijões), oleaginosas (sementes) e carnes brancas, ovos, leite magro e derivados, suprindo ácidos graxos essenciais. Exercer temperança na carne vermelha, frituras e doces.
7- Manter uma distância inteligente dos 4 pós brancos modernos: cocaína, farinha de trigo branca (que escangalha o intestino), açúcar e sal refinados. 
O sal bruto ou mineral é melhor, pois não recebeu adição química de refinamento. Há também a flor de sal e o sal negro de origem vulcânica.  
Preferir açúcar mascavo, demerara ou mel; nunca adoçantes, que contém químicas cumulativas. O mascavo deixa sabor residual, sendo bom para receitas; o demerara custa a dissolver, devendo ser liquidificado.
8- Planejar as refeições com antecedência e observar os termogênicos. Organizar-se para manter estoque saudável, sem guloseimas tentadoras, e carregar alimentos onde for. Inserir termogênicos ajuda a queimar gorduras. 
9- Abusar de chás, sucos verdes e temperos: condimentos e ervas. Todo chá pode também ser tempero, e vice-versa. A couve pode ser congelada enroladinha sem o caule, com salsinha, e formar par com cascas de frutas (inclusive de melancia, banana e mandacaru), laranja sem casca ou cenoura, num suco verde, toda segunda e sexta-feira. 
10- Consultar mais de uma nutricionista, para variar as opiniões, e manter o domingo de folga, sem contudo relaxar em sábados e feriados. Comer aos domingos significa variedade e não quantidade: 1 bolinha de sorvete; uma lasquinha de bolo recheado, um quadrinho de chocolate; 1 pires (de café) com batatas fritas, 1 copinho de refrigerante... não tudo no mesmo dia.

Não quero!

Hoje, numa mistura de educação com assistência social, a Prefeitura mandou mochilas para todos os alunos, querendo ou não, gostando ou não, já tendo ou não. Desperdício.
Vieram todas na cor azul, sem muitos detalhes ou beleza saliente. Os garotos logo viram ali a possibilidade de usá-la como "carrinho bate-bate", pois contém rodinhas. Então gostaram.
Algumas meninas, no entanto, torceram o nariz, emburraram, nem queriam levá-la para casa. Agradando, questionando, botando "panos quentes", fui averiguar: umas detestam azul, e só usam bolsa rosa; outra já tem duas, e muito mais belas; a outra tem da "moranguinho" e jamais trocaria por esta "feiosa".
Ai, meu Deus! Eu mereço? Então expliquei que não precisa levar à aula, pode usar num piquenique, para guardar brinquedos, colocar roupas quando for dormir fora...  acabaram concordando.
Na saída, com duas mochilas de rodinhas cada um, mesmo admoestando antecipadamente, foi um tal de esfrega daqui, esbarra dali, roça a canela do outro, soca nos pés de alguém. Por isso não aprecio rodinhas, viram armas.
Aguardem o material escolar: no ano passado, a tesourinha era tão "moderna", que desmontava e montava o cabo a qualquer tentativa de corte. As mães, sem cerimônias, "pincharam" no lixo. Minha clientela é, na maioria, de classe média, e prima por qualidade.
Tem momentos em que esta assistencialização desmedida da educação me deixa... deixa..., ah! Deixa prá la!  
Imagem Net.

25.2.14

Dieta Mediterrânea

Uma alimentação inspirada na dieta mediterrânea, porém adaptada à nossa região, deve incluir verduras, legumes e frutas (resgatando-se, se possível, produtos silvestres/nativos) que são fontes de vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes, prevenindo câncer.
Lembrando que o estilo de vida mediterrânico completa a dieta.
Os cereais integrais são ricos em fibras, nutrientes, minerais (zinco, fósforo, magnésio e outros), vitaminas e nos dão energia. O leite (não pasteurizado)  e derivados são fontes de proteínas e ricos em cálcio.
As leguminosas (feijões diversos - pinhão) possuem fibras e proteínas vegetais, combatendo a constipação e evitando o câncer de intestino. Diminuem o nível do colesterol ruim (LDL).
As oleaginosas: amendoim, castanha do pará e de caju, macadâmia, noz pecã, sementes de linhaça, girassol, abóbora, gergelim, contém gorduras boas (mono e polinsaturadas), vitamina E e selênio, com ação antioxidante.
Peixes (e carne de não mamíferos) contém ácidos graxos ômega – 3, diminuindo riscos de doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral, hipertensão arterial, tem ação anti-inflamatória, regula taxas de triglicérides e colesterol.
O suco de uva roxa integral é alternativa ao vinho tinto, que possui flavonoides (antioxidantes), evitando placas de gorduras nos vasos sanguíneos, aumentando a longevidade.
As especiarias devem contemplar uma enorme variedade de ervas aromáticas, que agregam sabor, trazendo saciedade e muitos nutrientes ao organismo, são antioxidantes, digestivas e amenizam danos causados pelo açúcar, são anti-inflamatórios (medicinais). Qualquer chá serve para temperar: erva doce, melissa, alfavaca e tantos...
O baixo consumo de doces, alimentos industrializados, carboidratos densos, lactose, carne processada e frituras, são fundamentais.
O azeite de oliva extra virgem pode ser substituído por azeitonas, abacate, polpa de coco, oleaginosas (amendoim), sementes, gema de ovo, manteiga: ricos em ômega 6, 3, 9 e vitamina E, ajudam o sistema nervoso, anti inflamatórios e regulam o colesterol.

Imagem Google.

19.2.14

Plantas

Trapoeraba. Os caboclos que vinham de Minas costumavam comê-la, assustada em banha.
Limoeirinho que nasceu sozinho à beira da estrada. O limão cavalo é praga por aqui.
Moita de sapé. Usada por caboclos e indígenas para cobertura de cabanas. Atrás, alecrim do campo. À frente, e à esquerda, uma variedade de carqueja.
Pimenta comari quase invisível- pontinhos vermelhos, ao meio o mandacaru ou cardo (cujo fruto parece sorvete de flocos)  e jaracatiá (o mini-mamão), cujo caule serve para "doce de pau".
Assapeixe: excelente para varrer forno à  lenha. Deixa um suave aroma silvestre. Suas cheirosas flores brancas dão um mel de primeira grandeza.
 Pé de urucum no terreiro da casa do Tião Macumba. Faz-se o coloral com óleo e fubá, esfregando as sementinhas alaranjadas. Substitui o molho de tomate.
Aloe vera - babosa. Possui uma baba, gel que afina / limpa o sangue. Os antigos bebiam com água para evitar câncer de intestino e úlcera.
Juá. Não é aquele do Nordeste. É um frutinho ressequido não muito palatável.
Outra espécie de juá. O da direita é albino, assim como outros que estavam por lá.
Pita azul - prima da Agave Azul, aquela que se faz a tequila e o açúcar que está em moda hoje: calda de agave, considerada melhor que stevia, contudo os dois produtos são extraídos à base de química.
Goiabeiras silvestres, e um pé de nêsperas atrás. Em cada barranco há uma goiabeirinha carregada, nesta época do ano.
Junco, à beira do regato, num colchão d'água natural. Fiz muita cadeirinha com ele na infância.
Taiova / taioba: é um inhame e suas folhas parecem couve. Refogadas ao alho e gordura de porco ficam ótimas. Este exemplar está sofrendo com a seca!
Paininha de borboleta: é um arbusto venenoso onde borboletas depositam seus ovos. As larvas, taturanas amarelo e pretas (em sinal de alerta), só comem desta espécie de planta, ficando também venenosas até virarem casulos.
Moita de inhame tradicional. Costuma-se cozinhar para os porcos, porém é depurativo para o sangue e um excelente carboidrato para humanos.
Alfavaca, também chamada de manjericão grande. Uma deliciosa erva aromática para chá e tempero. Usei hoje num creme de chuchu com palmito e ficou suave.
Maracujá, losna e alecrim, do quintal do Tião Macumba. 


Local de querência

Fevereiro é época de se aparar tantas arestas... são mães se estranhando com professores pelas mínimas coisinhas. São crianças mal adaptadas, que fazem tempestade em copos d'água quase todo dia. 
Todo fevereiro é assim, sobretudo para os que estão chegando agora, no 1º ano e ainda não se acostumaram com o "jeitão" de sua nova sala de aula.
Percebe-se os ti-ti-tis de familiares, enquanto aguardam ao portão. Enxerga-se a insegurança de quem deixa o filhote e ainda não acredita em sua capacidade de autonomia.
Temos 5 classes de 1º ano, e a comparação entre professoras é quase visível, está nas entrelinhas. Muito diferente de vinte e tantos anos atrás, quando comecei a trabalhar com crianças, e elas iam sozinhas ou com irmãos à escola. Era uma luta conhecer as mães, falar com elas, fazê-las se inteirar dos assuntos escolares.
Hoje, apesar dos melindres, que por vezes são excessivos, o interesse familiar aumentou sobremaneira. Claro que há equívocos; há confusão entre boa professora e professora boazinha (assim como boa mãe e mãe boazinha); confunde-se profissional exigente com chata, mas "com o andar da carroça as abóboras se ajeitam", e logo chega março.
Minha colega foi admoestada por uma mãe por ter o hábito (comum na região) de dizer a palavra "criatura" de vez em quando. A genitora julgou que ela estivesse apelidando o filho. 
A outra, explicou às crianças que não devem estragar as florzinhas pelo caminho, apenas para levar a ela; então uma mãe foi à diretoria reclamar e tentar trocar o menino de sala.
Enquanto as crianças e sobretudo os familiares não conseguem estabelecer seu local de querência naquela nova escola "grandona", nós vamos colocando "panos quentes" cá e acolá; porém necessitamos ter discernimento e certa firmeza, sem dureza.
O principal é levar a família a crer nas potencialidades do filho, sobretudo nas possibilidades de resolver os próprios desafios cotidianos. A heteronomia é comum principalmente em casos de filhos únicos. Fazer por eles o que podem fazer sozinhos é pseudoamor.
Orientei em reunião que eles têm total capacidade de amarrar os calçados; limpar-se ao sanitário; cuidar dos próprios materiais; fazer a lição de casa, mesmo que com orientação. Tenho uma dor lombar crônica e não consigo abaixar-se o tempo todo para amarrar  cerca de 20 pares de calçados, nem pegar criança de 6 anos ao colo, como certas mães fazem.
No mais, a turma aprende que é uma beleza, e gosta de brincadeiras ou leituras repetidas, algo comum nesta faixa etária. Estou encantada com certas colocações coerentes, com o raciocínio lógico-matemático bem mais evoluído. Creio que a inserção precoce na educação infantil esteja surtindo efeito. 
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17.2.14

Interior do interior

No terreiro da casa do primo Bento (51 - era chegado numa manguaça), esta maravilha!
 É época de paineiras floridas, e duram prá lá de dois meses...
 Nem se imagina o perfume deste tapete rosa em volta da casa, e à borda do regato.
 Trepadeira selvagem florindo ali próximo.
E a 50 metros, as palmeiras macaubeiras. Suas amêndoas são ressequidas, contudo gostosas e grandonas.
Uma palmeira jerivá, lá no pasto. Com amendoazinhas em formato peculiar, após se chupar o coquinho amarelo.
 Moita de bambu escondendo as ruínas dum moinho de fubá.
 Cogumelo, mesmo com tanta seca! Está à sombra de uma paineira e um jatobazeiro.
 É da espécie "guarda chuvinha de diabo". Pelo nome, melhor manter distância.
 Florzinha silvestre. Há muitas variedades e cores lá na serra...
 Liquens / musgos, no barranco sombreado.

12.2.14

Placebo

Esta tática pedagógica de utilizar placebos para amenizar sofrimentos psicológicos das crianças é comum e eficaz na maioria dos casos. Eu utilizo muito em sala de aula.
Nesta manhã, ao soar o sinal (7 h 00), fui ao pátio pegar minha classe. Ao organizar as filas (já trabalhando seriação), notei um dos garotinhos, lindo, com dois olhões azuis, desinquieto. 
Ao abordá-lo, já desabou em prantos, dizendo estar doente, muito mal, necessitando ser levado urgentemente ao hospital. A maior belezinha, porém o sofrimento era real.
Ele estava quente, ofegante. Pedi à inspetora que lhe verificasse a temperatura. Ele já foi implorando:
_ Tia, "iga" pa minha mãe, é meu "coiação" (ele tem dificuldades fonoaudiológicas).
Após a inspetora constatar que a temperatura estava normal, pedi aquela famosa e linda xicrinha de remédio infalível que temos.
Logo veio ela com água geladíssima, pedindo que tomasse aos poucos, e não era amargo. E ele insistindo:
_ "Queio faia ca mãe, deixe teiefona, a padaia" que eia "tabaia" é aqui peitinho. Em uigência pode igá". 
Que coisinha mais linda!
Fui lhe engabelando, demonstrando que o excelente remédio estava fazendo efeito, e logo ele sossegou. Passou bem o resto da manhã. E viva o placebo!
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9.2.14

Blanche XLVIII

Blanche, numa lida quase infinda, antecipa a reposição da despensa, no aromático sótão da cabana. Palestrando com seus eus, preocupa-se com a seca que lentamente aniquila a valedoura vegetação.
As safras sazonais são colhidas conjuntamente a seus parceiros e distribuídas pela arejada tulha e paiol. Apenas a ela cabe angariar preciosinhos vegetais agrestes dispersos por toda a região.
Cereais selvagens e grãos indígenas, basilares para a ração de inverno, estão sendo apanhados no período matinal. As tardes quentes, de silêncio quase sepulcral, são persecutórias de abundante leseira, com bichos enfurnados em covis. A garota emprega neste período o trabalho doméstico, à sombra.
Sem desacorçoar, quase arremata a perfumosa cocção de compotas dos anuais frutinhos silvestres, adoçados timidamente (devido a seu paladar indígena educado) ao caseiro açúcar mascavo, depurado na colheita de inverno da cana. 
Apoiada num banquinho solteiro, que costuma conduzir atado às nádegas, descaroça, descasca, raspa, pica, rala, numa toadinha sem pressa, até que o pincel da noite vá grafitando seus tachos crepitantes.
A lenta preparação de frutas e legumes desidratados discrepa totalmente de anos anteriores: em limitados dias já estão se esturricando sobre o pano amareladiço num desvão da varanda, exalando sabores.
Na margem baixa do curvilíneo regato, a escassa água, embora mais fraca, mais lenta, mais mansa, mais morna, continua teimosamente a arredondar as agastadas pedras, agora quase à descoberta. 
Após trançar alho e cebola em réstias artísticas, para irem ao sol num processo de cura, produz o coloral com sementinhas de urucum bem secas ao causticante telhado, de modo a avivar a alaranjada coloração. 
Os de casa adaptaram-se aos temperos indígenas acaboclados por ela. A serendipidade da culinária desta jovem advém justamente da mescla de culturas, a referir-lhe autenticidade. 
Noutro instante, cavouca à margem do regato, em busca das primeiras batatas de inhame da estação. As folhas, picadinhas fininhas em fios d'aranha, serão assustadas na banha de porco, temperadas com gostosos brotos de amor-seco.
As primogênitas batatas-doce, já espalhadas em peneiras, repousam no terraço para murcharem e concentrarem o palatável açúcar natural. Amendoins e pipocas recostam-se por ali, assim como as ardidas e odoríficas pimentinhas comari.
A mandioca (pão caipira) é amplamente cultivada lá embaixo, na pradaria, pois colhe-se ao outono para o trabalhoso preparo da farinha, goma e polvilho, que suprirão a família por todo o ano. 
Parte das variadas espécies de batatas, abóboras maduras e feijões já se encontram alocadas na tulha, em vistosos balaios de taquara. O milho para os cavalos e prás galinhas será colhido no outono. Por ora, retira-se espigas verdes pro consumo diário, assado ou cozido.
Sementes de bucha, cabaças, pepinos maduros, melões e melancias (todos primos) estão devidamente separados em miúdas cabacinhas, contendo parte da casca, para reconhecimento futuro. Ficam dependurados num caibro do paiol.
Após a recolecção, as castanhas diversas aguardam secagem e limpeza para serem também armazenadas em trouxinhas de folhas de bananeira. Sua preciosa coleta seguirá pelo início do outono.Os pequenotes frutinhos da pitangueira e as seriguelas atempadamente maduras, em amizade, dividem o mesmo embornal, após a colheita de ontem ao crepúsculo. Um cheiroso ananás amadurece esquecido num cestinho. Fermentarão em um odre, para tornarem-se bebida alcoólica, à moda indígena.
Uma excruciante moita azulada de agave, agarrada ao penedo, lança polissêmicas hastes equivocadas a atacar o brilharento sol. Uma de suas suculentas folhas também comporá o fermentado, com ramas de assapeixe e frutos do camapu (saquinho de bode).
Num olhar arrelampado, Blanche encontra beldroegas, trapoerabas e carurus de sombra, embaciados sob uma frondosa figueira, ainda viçosos e fragranciados. Serão armazenados dependurados ao teto, para compor suculentos guisados invernosos, em aromas coadaptados.
Sob um céu de azul extravagante, a lobeira no barranco, de perturbada beleza, persiste heroicamente, com suas amargas pelotas aguardando colheita. Num riso forte, a moça retira os frutos acinzentados, pousando um a um na cabaça presa à cintura. As galinhas (como os lobos) degustarão!
Os frutos da mamacadela, maduros e de-vez, serão afixados ao beiral interno do telhado, numa arquitetura triangular, para durarem o ano. São desmesuradamente medicinais.
Em périplo por toda a montanha que abraça o vale de Riolama, arrecada cá e acola, vitualha opulenta e incontroversa, escolada inteligentemente pela avó.
A uma distância prudente, cruza com um velho índio desgarrado, de aparente antipatia sincera e cansada. Ele vaga serôdio, em continuada busca de ajuste a um local de querência. Há objetivação num olhar que evita ódio e mira Blanche por largos segundos, então segue absorto pela trilha delgada.
Sabe furtar-se de desimportantes ajudas imediatas, que certamente o prejudiquem a longo prazo. Aprendeu nas tareias da vida admoestativa, que pedir e perguntar vicia, numa espécie de manipanso, levando-o a fragmentar-se em gente vil.
Insubmissa, ela pressente que o ancião ri estrondosamente, numa epifania interna, sem expelir qualquer som, aparentando receio de libertar o sol pela janelinha dos lábios. Sem esvaimento do espírito, num talento torturado, some-se na curva, esticando prosa consigo mesmo em fala sibilante.

8.2.14

Fornada

Esta é uma palavra que me traz sentimentos especiais. Fornadas de pão induzem à alegria, fartura; reportam à zona rural onde me criei.
O aroma que impregna a casa no processo de assadura é característico e nos faz salivar. A alquimia da mudança daquela massa pesada em enormes e levíssimos exemplares, que vão corando aos poucos é única.
Hoje fiz de cenoura (Novidade!) com aveia e sementes de girassol. Gosto de fazer bastante, doar aos familiares e congelar uma parte. Não me venha com três pãezinhos escondidos no fundo duma assadeira, isto não satisfaz minhas escassas prendas domésticas!
O "Fiotão" adora levar de lanche um gostoso pãozinho caseiro, em seu trabalho na fábrica de aviões. 

Balanço: três grandes, dois nozinhos e 14 pãezinhos. Há um espaço à esquerda porque o Par devorou o exemplar faltante. 
Aliás, fiz em duas assadas; enquanto a metade estava ao forno, a outra parte continuava crescendo sobre a pia. E não é que o guloso sentiu o aroma e foi logo cortando um pãozinho cru?
Esta unidade que se encontra sozinha à direita, foi amassada novamente e ficou menor que os outros, depois d'ele cortar indevidamente... vê se pode?
 O pãozinho e seu amigo, nozinho. A aveia e a semente de girassol ficam salientes.
 Grandões e pequeninos; a gosto.
 Nem tão pequenos assim... fazem um baita lanche!
Amarelinhos devido à saudável cenoura, repletos de aveia (cereal) e as ricas sementinhas de girassol.
Enquanto assava, grelhei duas abobrinhas pro jantar: uma pitada de sal, rodelas fininhas de cebola e fios de azeite foram o tempero.

Não é porque fiz gordices que sairei de meu objetivo: perder peso. Continuo correndo 4 km por noite e ingerindo seis suaves refeições diárias, com muita água nos intervalos, ao acordar e antes de dormir.
Os gelinhos de couve batida são sucesso no suco verde. Uso casca de melancia e de mandacaru, com uma laranja. 
Aprendi com a Majo, que devo ingerir líquidos em etapas, para não lacear o estômago. Faz todo sentido.
Também fiz sopa / caldo de feijão com as cascas de melancia refogadas ao alho, carne bovina e batata. Bom! Metade da melancia é casca e tão saudável quanto o miolo, de baixas calorias. 

Secura

Sistema Cantareira 07/02 (Foto: Reprodução/TV Globo)
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Não me lembro de um verão tão seco... a média pluviométrica para janeiro nesta região é de 350 mm, porém só tivemos 75 mm. Uma perda irrecuperável neste verão, pois de agora em diante, as chuvas que vierem serão em pancadas rápidas e fortes. A chuva de janeiro é fininha e constante, umectando a terra.
Na oficina, temos consertado várias peças de irrigação; nem é nossa área, todavia os produtores estão desesperados. Até mudas de café estão sendo irrigadas, onerando os sitiantes.
As verduras estão miúdas, feias e duras. O preço, alto. Para breve, os legumes também serão problemáticos. Com pastagens secas, o gado necessita de trato extra, aumentando o preço da carne.
O ar muito seco e altas temperaturas estão comprometendo plantações diversas: as flores caem antes da hora e não há produtividade.
Desde o início do ano estamos com a temperatura oscilando entre 20/21 e 32/34 graus ao longo do dia, sendo que janeiro costuma ser fresquinho, com chuvisqueiros constantes. Neste instante está em 32 graus.
Minha erva aromática melissa, no vaso do quintal, estava desmaiada (não aguei durante a semana), por sorte a salvei, perdendo alguns brotos.
Ontem, ao sair para fazer as cobranças programadas às empresas parceiras, notei várias calçadas sendo lavadas pelas donas de casa ou faxineiras. Até a faxineira da vizinha lavou... cúmulo da falta de discernimento! 
Na cidade vizinha, onde meu irmão trabalha (na SABESP) já está faltando água. Aqui, não temos represa, a água é captada direto no rio: mais saudável, porém arriscado nesta época seca. 
A previsão de chuvas é para daqui a uma semana; enquanto isso, o calor e sol escaldante aliados à falta de economia da população, deixam diversas cidades em regime de racionamento.
Uma hora depois: após trovões esparsos à sudeste, chuvisca enfim! O cheirinho das escassas gotas na poeira é reconfortante, e uma brisa úmida abranda o calorão. O som dos delicados pinguinhos no telhado soa como música após tanta seca. Emoção!

Termogênese

Suplemento Termogênico
Há termogênicos sintéticos, sobretudo com efredina (aquela dos testes anti doping), todavia ninguém os quer, não é mesmo?
São alimentos com substâncias cujo processo influencia na liberação de hormônios queimadores de gordura para extrair energia, contribuindo para o emagrecimento. O organismo gasta mais energia para ingeri-los, que suas próprias calorias. 
Eles simulam aumento da temperatura corporal e reduzem o apetite, acelerando o metabolismo. Termogênicos em excesso ou por tempo prolongado aceleram o batimento cardíaco e agravam gastrite. Atrapalham o sono se ingeridos após 16 h 00. Também há outros efeitos colaterais para grupos de risco (alérgicos, gestantes, hipertensos, cardiopatas, crianças).
Contribuem com cerca de 10% da queima de gorduras (é pouco). Apenas funcionam se associados a uma dieta de baixa caloria e atividades aeróbicas. 
Dentre eles destacam-se: pimenta vermelha, canela, mostarda, gengibre, vinagre de maçã, acelga, aspargos, couve, brócolis, casca de laranja, kiwi, cafeína (cacau e outros, exceto coca-cola), guaraná em pó, água bem gelada, linhaça, gorduras vegetais e gorduras de coco.
Relacionado à cafeína, temos o café sem açúcar (nem adoçante, de preferência), e diversos chás.
Chás de hibisco, chá verde (branco e vermelho), laranja amarga (aquela de fazer doce), tamarindo do Malabar, boldo, carqueja,  guaçatonga, salsaparrilha, alga fucus, anis estrelada, chá de oliveira, folhas de romã são todos termogênicos.
Os chás não podem ferver, devem estar em infusão, tampados, por 10 minutos, com o fogo desligado após a fervura apenas da água.  Sempre consumir no mesmo dia. 
A combinação de várias ervas gera conflitos, porém canela com gengibre e chá verde, intercalando com outros chás, dias sim - dia não, são satisfatórios. Um nutricionista pode orientar as misturas.
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5.2.14

Nanismo

Sim, é sobre o nanismo que devo estudar nos próximos dias, pois recebi uma garotinha anã em  sala de aula. Ficamos dois dias na escola, preparando tudo de antemão; ninguém me avisou desta crianças com necessidades físicas especiais.
A pessoa da família que a levou, nada mencionou, e fiquei em dúvida se havia algo explícito em seu prontuário. Por sorte, me lembrei de algumas carteirinhas minúsculas perdidas pela escola, então a servente me ajudou a fazer a troca.
Resolvido o problema da carteirinha, tentei o prontuário: impossível me aproximar da secretaria, por ser o primeiro dia de aulas, os pais aguardam para mudar período, fazer transferência, tudo à última hora.
Quanto ao sanitário, ela me informou que em casa usa o peniquinho - pedi à Coordenadora que providencie um exemplar e acondicione-o no sanitário de deficientes.
Na sala de informática, se faz necessário uma almofada sobre a cadeira; o bebedouro necessita de um tablado; no refeitório, as funcionárias ajudarão. Orientei o pessoal do recreio para que lhe deem atenção especial.
Na saída, questionei a tia sobre possíveis medicamentos, cuidados excepcionais. A mesma informou que a criança não pode cair, por não possuir (não entendi se total ou parcialmente) a cartilagem dos joelhos. Mais recomendações ao pessoal do recreio amanhã.
Ela apresenta aquele nanismo dos membros desproporcionais, pelo que observei. Intelectualmente é perspicaz e falante; fisicamente é autônoma, esperta.
Quando questionando sobre quem mora bem próximo à escola e quem mora longe, ela logo disse que mora na outra rua, porém a mãe mora noutra cidade: na cadeia - e foi presa por vender drogas (no momento, perdi a fala).
As funcionárias já fizeram a festa: pegaram-na ao colo, fizeram festinhas com ela. Fui logo cortando; devemos dar-lhe tratamento especial quanto ao espaço físico, sem tratá-la como criancinha.
No geral, a classe parece bem desenvolvida em aprendizagem e sem casos comportamentais gritantes (espero). Quatro crianças ainda não compareceram.
A professora ao lado recebeu um garoto com TDO: Transtorno Desafiador Opositor (ou Opositivo, ou de Oposição, ou Opositor Desafiante). 
Na minha experiência, este é um dos piores quadros para se lidar em sala de aula, pois eles desafiam o tempo todo, rompem regras, nos tiram todas as energias, e não aparentam transtorno: um leigo diria que é má índole (falta de surra, como diriam os outros pais). 
Na verdade, se não for diagnosticado e tratado devidamente, a criança pode seguir para o banditismo. Três quartos dos internos da "Fundação Casa" apresentam o transtorno.
Na saída, ele já fugiu dala, no 1º dia... a pobre estava toda trêmula. Ele foi encontrado na sala da irmã mais velha. Já foi diagnosticado na UNICAMP, porém ainda não iniciou medicação.
Imagem: Aqui  (ainda bem que com as crianças este "ânimo" não é tão nítido). 

1.2.14

Suco verde: a aventura

gelinho de couve
Olha, esse treco requer muita personalidade, disciplina, criatividade e altruísmo. É igualzinho a doação de sangue, só que ao reverso, no sentido real e figurado.
A gente se doa em prol de uma causa imensamente maior: a saúde de alguém; e nesse caso é a nossa mesma. Vale a pena emagrecer saudavelmente, com energia e alegria. 
No lanche da tarde, ingeri um iogurte de coco com granola, muita granola. Uma torrada integral com margarina finalizou o lanche (a "sobremesa").
Daí, ao jantar, a fome não veio... incrível o poder de saciedade das fibras! Alimento integral, fibroso é uma ajuda preciosa neste quesito e ainda varre os intestinos, nos deixando limpinhos.
Eu não pulo refeição, de jeito maneira, então parti pro tal suco. Usei a base - casca de melancia e duas folhas de alface; o aromatizador foi meia  pimenta chapéu de palha; e pro sabor, manga. Perfumoso!
Liquidifiquei e coloquei a "gosma" detox num copo de 400 ml. Completei com muuuuita água gelada, para ficar ralinho, suco - não pode ser frapê, senão enrosca na goela. 
Estava tragável, então despejei-me. O segredo foi passar mais tempo sem ingerir água, pois a sede ajuda no processo de "degustação".
Pretendo experimentar casca de banana como base (só um pedaço), e continuar anexando outras cascas: de manga, de mamão, de mandacaru (emagrecedor). Prá ficar bem verde (clorofila), usarei couve. Se der certo, minha compostagem gritará, agoniada.
Ontem à noite, queria dormir desmaiadamente, pois a noite anterior não fora tão boa, devido a uma preocupação. Bati três folhas de alface com água gelada e verti garganta abaixo. 
É facin de tomar, quase não tem gosto. E que calmante poderoso... pode servir crianças, idosos, e cães agitados; é uma mão na roda. E de "mão na roda" eu entendo!
Ah, minha ceia será duas sardinhas: tiro escamas, rabo e "garrinhas" (barbatana dorsal espinhosa), faço cortes longitudinais para não explodir no microondas e asso por dois minutos, sem nenhum tempero. Maior delícia!
Imagem deste local

Sensação estranha...

Hoje conheci pessoalmente um blogueiro que sigo. Ele compareceu à oficina para arrumar uma roda "que a esposa ralou". Dizem sempre que foi a esposa - homem nunca é navalha assumido, sei lá.
Fiquei reparando nele desconfiada, matutando... será que é? Será que não? Quando ele deu seu nome completo para eu preencher a ordem de serviço tive a confirmação. Uau! É gente de carne e osso!
Quase comentei sobre o blog, porém hesitei. É muito estranho conhecermos tanta coisa sobre a vida de alguém, estar com a pessoa lado a lado e a recíproca não ser verdadeira.
É quase como aquele conto de Andersen:  "A roupa nova do rei". Nós vemos o ser "nu" à  nossa frente e ele não tem a menor ideia do fato, está inocente e não tem como se defender, pois praticamente não sabe de nossa existência.
Sabemos que temos leitores (além daqueles inconvenientes robôs que nos visitam sempre), todavia não temos a menor ideia de seu perfil, pois a maioria não comenta nos posts.
Foi aí que me assustei imensamente com a intimidade fornecida por um blog: ficamos literalmente na vitrine para nossos seguidores apreciarem, criticarem, zombarem, julgarem, nos enxergarem por dentro, o oposto do mundo real, onde expomos mais "a casca".
Se eu comentasse com ele, sem falar da existência de meus blogs, seria traição. Se comento e ele rala a roda de novo,  após me ler? Não tenho coragem de arriscar a ficar cara a cara, imaginando que ele saiba tanto sobre mim.
Parece que a minha imagem interna é muito mais forte que a casca superficial. Seríamos íntimos estranhos, ou estranhos íntimos. Nem com meu irmão sou tão íntima assim... Desvirtualizar de supetão requer muita coragem, a menos que seja algo combinado previamente.
Aquelas moças Brasileiras que se prostituem na Holanda, e se expõem aos turistas, nas vitrines, em troca dos necessários proventos, também me vieram à memória. Imagina se elas um dia vão expor esta condição aqui no Brasil.
Não estou comparado blog à prostituição ou algo anti-ético, mas sim à demasiada exposição e demasiada intimidade. Por mais que alguém use perfil fake, um dia pode ser "desmascarado", pois nossos rastros são muitos.
Nem aqui no interiorzão estamos blindados. Eu sigo o blog do L. justamente por se tratar de um conterrâneo, que escreve sobre a região (mas não só).
Além de um espaço público, de interação, aqui também é nosso diário pessoal. Nós escrevemos também para nós mesmos às vezes. Nos comunicamos intimamente com nosso amigo diário, apenas de forma mais tecnológica que na adolescência.
Que dilema! Ainda tenho uma chance, quando ele vier buscar a roda, se eu estiver presente...

Preferências gastronômicas

Gosto de tudo que é cascudo, pretinho, queimadinho, "de esquina", com "sujeirinhas" pro meio... por isso os integrais me atraem: arroz, torrada, biscoito, pão e afins. 
Prefiro o pão seco ao murcho, e se alguém não me deixar o bico, faço bico! Pão caseiro eu amo, e faço sempre; porém detesto que grudem um no outro ao assar.
Não gosto de pão ao almoço ou jantar, apenas no café da manhã. Lanche substituindo "comida de panela" não me atrai, nem aqueles tipo "burgues".
Pizza eu escolho pela praticidade, mas consigo ficar muito tempo sem experimentar. Apenas não resisto à marguerita, minha favorita devido ao manjericão.
Da galinha caipira, prefiro a cabeça, pés, ponta de asa, fígado, e tudo que é miúdo... quanto mais pelezinha saudável, melhor. Gosto mesmo é da periferia da galinha; não me venha com "partes nobres" - vou nas exóticas. 
Do frango de granja não se pode comer pele! E o peito, transparente, se desmancha ao olhar... fico só com as coxas e faço peito pro "Fiotão". Na saborosa galinha caipira, uma ponta de asa é o suficiente para nos satisfazer com temperança, regada àquele caldinho divino. 
Sou amiga das frutas: desde seriguela até cajá-manga (Azeda!); são raras as que dispenso, mesmo que as use apenas em sucos. Das "normais", prefiro banana à maçã; melão ao mamão; porém não dispenso as que não prefiro... mais tarde chego nelas.
As frutas cítricas deixam meu estômago em carne viva, assim como abacaxi, maracujá, graviola e afins. De vez em quando me sirvo com moderação. Certas folhas também me agridem o estômago, justamente as que mais gosto: rúcula, agrião... as azedinhas.
Saladas? Elejo muito mais os refogados. Chego a esquentar a salada no prato, ao microondas... faço isso quase sempre, contudo sem tempero. A salada esfria minha comida.
E os bolos? entre um de fubá com muita semente de erva doce e um de festa, recheado, adivinha com qual fico? Sobretudo se ao lado estiver uma (meia)  xicrona de leite com café fervendo.
Feijão, gosto de apurar com tomates, todavia às vezes me esqueço de fazê-lo assim. Um tutu (viradinho) com ovo mexido também não dispenso, fica uma refeição completa, se uso farinha de milho com a de mandioca casadas.
Carne de caça não se pode mais comer, todavia pelo sabor, não dispensaria nenhuma, com temperança sempre. Peixes também abarco todos, inclusive os minúsculos "barrigas-podres". Delicioso fritinho, temperado com limão e passado no fubá! Quase mini-lambaris.
As ervas, quase todas me encantam: melissa, erva doce, camomila, hortelã, capim-cidreira, alfavaca, manjericão, louro, orégano, losna, boldo, alecrim, arruda, erva de Santa Maria (mata-pulga), poejo, cheiro verde, pau de canela.
Sou enamorada de todas as variedades de pimenta, porém meu estômago chora... a do reino, aboli desde a adolescência por medo que se fixe nalguma dobrinha do estômago e vire ferida. Fico com o aroma, principalmente da selvagem e encantadora comari (aqui, cumbari).
Gengibre também me arde a gastrite, pena... pois gosto tanto do sabor quanto do aroma. Os tubérculos da maria jacinta, planta prima da gengibre, não mais suaves; e a outra prima, o falso açafrão, deixa a comida amarelinha e não interfere no sabor.
Um tempero que substitui o molho de tomate, que uso bastante é o colorau (feito de urucum), toda casa de roça tem um arbusto desta, para extrair a sementinha. A batata com urucum fica cremosa devido ao fubá que vai na receita, uma delícia.
Gosto de batata, contudo bem menos do que gostava antes. Hoje, além das refogadinhas básicas e assadas com carnes, sou mais adepta ao purê, e de vez em quando faço maionese. Quase aboli as fritas.
Sopas são minha paixão: de legumes, batatas com caldo de feijão, de fubá, creme de milho, de macarrão, mandioca ou mandioquinha... sempre com uma carninha para temperar.
Entre a macarronada e a polenta, fico com a última, pura ou com molho de carne moída por cima. Por fermentar no estômago, evito no jantar.
Entre carne bovina e suína, prefiro a bovina, pois um pedacinho satisfaz: moída, em bifes, de panela, charque.
De vez em quando faço massa. Dou preferência para o nhoque semi pronto. Se a massa é feita por outra pessoa, não exito em experimentar porque fica infinitamente melhor que a minha, sei lá.
Doces, gosto dos caseiros antigos, daqueles tradicionais de bar, rapaduras com todos os sabores. Estou economizando uma de cidra, que trouxe da viagem a Minas. Chocolate não adoro, mas gosto. E prefiro sorvete em picolé.
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