29.11.14

Pouquinho egoísta

Na verdade, sou mega egoísta. Cuido do meu Par cada dia de cada vez. Me levanto (gosto) de madrugada e faço-lhe o almoço, já preparando lanche.
Arroz integral intercalado com branco, feijão com bolinhas mágicas de grão de bico, omelete com cebola e cebolinha (o sujeito não gosta de ervas), uma carninha magra intercalada, salada prontinha prá temperar e o mais variada possível, verdura ou legume refogado.
De vez em quando ele tira uma colher do feijão, rejeitando as bolinhas mágicas.  A salada, por vezes nem abre a tigela na geladeira, o arroz, quando integral, é acompanhado com pão francês que ele pega na padaria... Pode?
Pelo menos, ovo de todas as formas é garantia de sucesso culinário: ele passa lá em casa (a oficina é ao lado) antes do almoço e devora ovo em qualquer forma que deixo pronto. É que quando faço ovo cozido, já deixo descascado... Pode?
E o café da manhã? Lanche natural com pão caseiro ou integral, verdura, cebola, pepino, tomate e queijo frescal; uma banana descascada; pedaço de mamão sem sementes; pedaço de abacate e leite com café (ele faz o café). O pepino ele rejeita totalmente... Pode?
Lanche da manhã? Uma garrafinha de leite fermentado - daqueles com lactobacilos vivos. Tentei outras coisas, tipo castanhas, pera, mas bicho rejeitou.
Após o almoço há um copão de água com limão geladinha - esse é garantido. Mais tarde, uma maçã necessariamente fugi, que ele por vezes rejeita, me frustrando como cuidadora deidosos.
Após o expediente ele pega uma "latinha" na vizinhança e acabou-se minha festa. O jantar é sempre pela metade da metade, chegando a se resumir até em bolachinha integral com leite. Droga! 
Percebeu o egoísmo? Morro de medo de ficar viúva, sozinha, isolada, desmotivada, melancólica, caduca demente. E ele tem ciência do fato!
Na verdade, meu sonho, sonho mesmo, é morrermos mais velhos um pouco, entretanto em épocas próximas. Nem precisa ser no mesmo dia, ou semana, ou mês. Na verdade, três meses seria o limite máximo.
Nada de macabro, é algo romântico, natural e cotidiano. Não sei qual a mágica, mas eles conseguem sincronizar incrivelmente seu ciclo vital exponencialmente.
Desde a infância na zona rural, essas histórias eram cotidianas e me impressionavam / apaixonavam /emocionavam. Perfeito demais? Mas é meu sonho... e com sonho de infância não se brinca.

27.11.14

Sensações

Imagem Net
Da minha infância roceira, guardo muito bem o límpido céu estrelado, com seu Caminho de Santiago (Via Láctea), as três marias (cinturão de Órion), a "galinha dos sete pintinhos" (constelação Cão Maior), a estrela d'alva ao clarear do dia (Planeta Vênus), a nítida lua branca passeando de leste a oeste.
As estrelas cadentes e os relâmpagos com nuvens de tempestade eram um caso à parte. Cadê as tantas luzinhas que xispavam o tempo todo, cruzando o céu em qualquer direção? E aquelas nuvens carregadas, feito naves sombrias atirando raios mortais prá depois desaguar escandalosamente, formando rios momentâneos montanha abaixo?
Morando numa montanha defronte à outra bem próxima, eu tinha a visão do vale abaixo, e no seu mais profundo o rio escorregando sentido nordeste a sudoeste. E acompanhando o rio, a rodovia, agora com pavimentação asfáltica e a ponte nova trocando as duas serpentes de lugar.
A visão das paineiras de verão, manchas rosa pincelando as matas: quarenta, cinquenta delas, e na beira da estrada o tapete de pétalas... E as lixeiras em setembro (Aloysia virgata) branqueando e perfumando a borda de capoeiras. Ah, esse perfume de infância, de plenitude, de serenidade! 
Guardo com nitidez os tons de verde e castanhos, os muitos aromas e sons da mata, o ruído de folhas secas e galhinhos se quebrando sob nosso tropel. Pássaros, muitos; e ninhos artísticos, e ovos de tamanhos, cores e pintinhas.   
A textura e refrescância gelada do sereno aglomerado nas folhas de grama. Aquela trilha fininha com o sereno nos beijando as canelas nuas, aquele brilho prateado, com gotas obesas enquanto o sol ainda tentava romper a montanha.
A textura da fruta no pé e sua beleza feito árvore de natal, o néctar temperado, as bicadas de passarinho na fruta mais bela, aquele chão forrado de frutas após uma noite de ventania, a escassa fruta temporã em meados de agosto. 
A felicidade do (minguado) encontro humano: a visita de parentes que viviam distantes, a vinda de amigos de outras fazendas, alguém sei lá de onde que aparecia muito de vez em quando naquele ermo vai-volta.
A moita de bambuzal e os muitos sacis que por lá viviam. A casinha que se formava em seu oco interior sem brotos, alto e seco, forradinho com as folhas secas se acumulando a décadas - aconchego total envolta naquele bailar constante nas longas e finas ramas que circundavam o centro oco.
A adstringência da areia fina ao fundo do regato límpido! A areia sempre a escorregar, a abraçar, a se mover. Os passeios por dentro do regato e as lindas folhagens viçosas das margens e o barranco e a pinguela, e os peixinhos barriga-podre espelhando os raios de sol.
Os bichinhos silvestres que por lá perambulavam, os predadores, nossos animais domésticos, insetos, assombrações.

25.11.14

Densidade Demográfica

Densidade populacional brasileira. Fonte - IBGE 2010
Basta esticar os olhos prum mapa mundi para saber o quanto o Brasil é grande. Grande também é sua população: Cerca de 200 milhões!
A questão é que este povão está mal distribuído pelo mapa... Os 25 municípios mais "lotados" do Brasil acomodam em torno de 50 milhões de pessoas - um quarto de nossa população total.
Campinas, a maior cidade interiorana próxima a mim, comporta 1,2 milhão de "cabeças". No estado de São Paulo, onde vivo, residem 44 milhões - quase 22% dos brasileiros. Roraima, no oposto, tem 0,2% de nossa gente - menos de 500 mil residentes.
São Paulo e Rio, os estados mais populosos, são também os que menos crescem. Apresentam taxa de fecundidade a cerca de 1,6% filho por mulher, bem abaixo da taxa de reposição.
Meu município possui densidade demográfica de 160 hab. por km quadrado, a passo que o Brsil possui menos de 24.
 Mapa da população mundial - mais escuro, mais gente;    fonte
Segundo estimativas do IBGE, na década de 2030 a população brasileira tenderá a declinar antes mesmo de superlotar o país, visto que os nascimentos não suprem mais a taxa de reposição. 
Esta janela de oportunidades até a década de 2030, antes de nos tornarmos um país de velhos, é onde deveremos fazer caixa para sustentar os inúmeros aposentados que advirão desse desequilíbrio.
O Brasil não possui geleiras, grandes desertos, cadeias montanhosas intransponíveis ou vulcões (excesso este aqui do lado de casa). Possui o pré-sal, todavia há tanta polêmica, corrupção e controvérsia envolvida que fica difícil ter esperanças quanto a este tesouro...

23.11.14

Internet

Resultado de imagem para imagens speedy vivoDesdo o meio de ano que o Speedy tem estado péssimo. Aliás, desde que deixou de pertencer à Telefônica em vez de melhorar, apenas piora mês a mês. E a fatura aumenta!
Sei que no interior é mais complicado, mas não era assim. Chego a demorar quase meia hora para postar uma única foto.
Vira e mexe eu desisto da Net pela leseira, e vou ler um livro. Há diversos textos em rascunho no blog. Quantas fotos desisti de postar... Até para rolar a barra lateral emperra. Navegar não rende.
Devido à documentação eletrônica da oficina, ainda não mudei de provedor. Vai que dá uma zebra e fico sem Net por dias...
Nesta tarde, até o Blogger resolveu me estranhar. Depois de umas falhas, daquelas habituais, ele engoliu um texto inteiro na hora de publicar... com foto e tudo!
Será que foi o Blogger ou o provedor (que na hora estava péssimo) que abduziu meu trabalho? Já me aconteceu com comentários, mas nunca com o post inteiro. Sinistro.
Fiotão disse que recebemos 40% dos megabyts contratados (e pagos). Um descaso!

O "clínico geral"

Segunda de manhã começou a escorrer líquido, foi esbranquiçando (excesso de umidade). Ao final do dia fui ao plantão do plano de saúde. O péssimo médico plantonista não quis receitar a pomada que pedi (e só vende com receita -  sulfadiazina de prata), alegando não ser dermato. 
Me mandou pagar consulta urgente, pois estava virando erisipela. Uma vaga com dermato aqui no interior demora semanas! Se ele como clínico geral não dá conta duma simples queimadurinha de moto, que rasgue o diploma! Melhor seria se eu fosse à saúde pública.
Desabafei com a enfermeira enquanto ela curava e informei que não concordava com aquele curativo abafado. Ela disse para retirar em casa; perguntei pela qualidade da pomada que aplicava e disse ser pior que Nebacetin.
Procurei a farmacêutica de minha confiança, que conferiu e disse estar normal; indicou "queimalive" e não abafar. Na caixa consta: "Muita atenção durante o uso em  feridas abertas" e aquela frase tremulava na minha cabeça. O que exatamente significa?
A palavra erisipela foi absurda, contudo me assustou. Me lembro de pessoas na zona rural com feridas incuráveis na perna. Dormi mal. Não chorei de madrugada por ser durona. 
Só na tarde seguinte associei a frase à posologia: "aplique uma fina camada". Diminui a dose e dormi. Acordei com a ferida "saudável", seca. Passei a manhã toda sem pomada e ela não escorreu líquido. Apliquei intermitentemente, o mínimo, apenas para não trincar.
O nascimento de pelos no ferimento foi boa indicação de que a parte interna está saudável. Nunca apreciei tanto os meus pelinhos crescendo na perna!
Aliviada! Se eu ficasse literalmente lambendo, como TODO animal silvestre, certamente já havia sarado. Bora trocar esse escape da moto (que deveria ser proibido) por outro com proteção.
A foto foi tirada dia 21, com dez dias do ocorrido. Agora está bem melhor, estou passando mel para umectar e evitar cicatriz. Ao acordar e à noite, passo pomada de Aloe Vera.
Minha amiga, que queimou mais, chamou a dermato na hora. Ela orientou mascar folha de couve fresca e colocar sobre a queimadura. Saliva é mesmo um grande antibiótico, aliado ao sumo da couve... Ela usou três vezes ao dia, deixando meia hora. Sarou rapidinho. E olha que a perna dela colou no escape! 

Lambendo a ferida

Terça-feira, dia 11, queimei a parte de trás da perna no escape da moto. Estacionei apertado, e ao sair desequilibrei e relei - coisa de segundo.
Foi no estacionamento do mercado. Segui às compras, não doía muito e não dava para ver direito (não liguei). Cometi a burrada de não entrar no sanitário e  fazer o rescaldo - continuou cozinhando...
Voltei, lavei bem, guardei as compras. Já era noite e não passei nada. Na noite seguinte, "Fiotão" insistiu para colocar Nebacetin, evitando inflamação.
Daí em diante fui passando. No sábado e domingo passados, exagerei na dose e ficou úmido demais. Eu havia aprendido a observar atentamente: a ferida deve permanecer vermelha, como carne viva mesmo. Se escurecer - procurar médico (risco de gangrena); se esbranquiçar, idem (risco de infecção).
No domingo fui retirando com cotonete toda essa pele morta da parte superior, e na segunda amanheceu estranho, vermelho abaixo,  e clareando (devido à umidade, mas não me toquei e lambuzava de pomada).
Já queimei a trinta anos, na moto do par, mas estava mais fria e só vermelhou e ardeu. Doeu muito mais que desta vez. Queimaduras de terceiro grau não doem por selar as terminações nervosas, porém a minha é superficial, simples, e doeu menos que devia... 
A foto é do dia seguinte, ainda sem pomada.

Segue a novela...

Comer magro

Sempre gostei de sopas, todas (tá bem, a de arroz nem tanto)! Porém não é hábito local sopa ao almoço. Não era!
Fiquei adepta desta praticidade rapidinho. Foi minha melhor escolha. Faço um sopão de legumes, folhas, carboidrato bom, grão de bico ou ervilha fresca ou lentilha, e carne magra.
Do panelão, deixo esfriar num refratário semitampado, porque panela de alumínio faz mal. Ao amornar, fraciono em copões descartáveis, cobrindo com filme; ou potinhos. Congelo para a semana toda (até mais).
De manhã é só descer prá geladeira e aquecer ao almoço, em micro-ondas (que não pretendo abolir, assim como o congelador). Gosto da sopa "pelando". Me acalenta tanto... depois uma fruta de sobremesa e pronto.
Meu lanche da tarde costuma ser a refeição mais substanciosa, e poço fracioná-lo em dois, conforme a fome. Tem banana, batata doce, outra fruta, castanha...
Taí o sopão.
Meu "Par" ganhou duas lindas abóboras - coisa de interior (sempre há desses presentes). A primeira e menor já se foi: metade no sopão e metade com casca em pressão, açúcar só para serenar. Bom e saudável.
Verde, a abóbora é legume; madura é carboidrato complexo. As sementes secas à sombra são boas prá petiscar durante a TV. No vaso, algumas sementes viram pequenas abobreiras, que viram suco verde, folha a folha.
Pão de abóbora (crua liquidificada) é excelente, cheio de carotenoides, todavia solta muita água. Devemos amassá-lo devagar sem acrescentar muito líquido.
Chuchu ao molho branco, com cheiro verde e alfavaca (do vaso). Paguei quase um nada por eles e fiz com cascas por serem orgânicos (do pomar particular do feirante).
Adoro comprar as sobras de safra para consumo próprio dos feirantes: é certeza de pureza. Comi  com uma proteína ao lado. Delícia leve!
Creme de mandioca com tomates ganhados. Sim, o Par tem sorte, desta vez foram cerca de três kg de tomates bem maduros. Higienizei, liquidifiquei, congelei em caixas de leite com filme. Vou tirando aos poucos. Abusei do manjericão que comprei fresco na feira.
Esse prato pede somente proteína - está completo.
 Meu almoço básico, intercalado ao sopão: feijão com muito louro, arroz integral, abobrinha refogada com cenoura, omelete com queijo frescal e salada de beterraba bem azeda no limão.
Sobremesa? Uma colherinha de mel do produtor, sem pasteurização.
Eu saio da linha de vez em quando, comendo sobretudo bobagens doces. É normal.
E minha água da termogênica canela uma vez ao dia (lembrando antinutriente / antimetabólito), sem contar as sementes de urucum duas vezes na semana. O urucum abaixa colesterol e o meu estava em 207 - nada grave, mas o ideal é até de 200.
Deixo os paus de canela uma semana na água (geladeira), porém trocando a água e usando-a todo dia. Aos domingos, substituo os paus (que colhi da árvore do primo).
Os alimentos que fiz são livres de glutamato (caldos). Não realçam tanto o sabor, contudo evito toxinas severas. Só de vez em quando uso um pedacinho mínimo, lembrando os riscos.
Comemos glutamato demais nos industrializados: o "saudável" peito de peru e todos os outros embutidos, restaurantes (comida chinesa), biscoitos, molhos prontos, enlatados... Tudo muito saboroso tem realçador glutamato demais (veneno). E o pior é desbalancear nosso paladar.  

22.11.14

Nutracêuticos

Originalmente, o termo era ligado à biomedicina e farmacologia, onde um alimento (produto natural) ou parte dele pode prevenir ou tratar doenças, ou ainda trazer benefícios adicionais ao organismo (como emagrecimento) se usado de forma concentrada.  
Hoje, a definição tornou-se sobretudo marketing de suplementos alimentares (capsulas) não apenas naturais, como também sintetizados. Sacietógenos, cápsulas de termogênicos, carnitina (que metaboliza ácidos graxos) são termos ouvidos em academias e receitados às vezes sem critérios. 
Com a longevidade atual e a diminuição do número de filhos, pessoas de meia idade se preocupam mais com a saúde e a cultura nutricional está evoluindo. Ao mesmo tempo toxinas invadem nosso organismo com mais ganância.
Câncer, problemas cardiovasculares e outras complicações nos "miúdos" e ossatura podem advir da síndrome metabólica associada a vida estressante, sedentarismo e baixa ingestão de água. Os nutracêuticos, preferencialmente naturais, podem ser usados terapeuticamente para amenizar este quadro.
Muitos laboratórios com ótica lucrativista estão dispondo-se a investigar plantas (e suas partes) para descobrir seus benefícios à saúde e possíveis curas de doenças, disponibilizando-os a um custo alto, como é o caso de suplementos alimentares.
O termo ampliado atualmente envolve também a biopirataria, inclusive com apropriação e monopolização de conhecimentos herbáceos das populações tradicionais, sobretudo no norte do Brasil. 
O simples fato de ser orgânico não acarreta uma conotação nutracêutica a um alimento, assim como um suco verde bem preparado a fim de causar benefícios fisiológicos.
Se a pessoa encontra-se com excesso de alguma toxina (metais pesados) e deve, por determinação de profissional de saúde, tomar suco verde (receita específica) toda manhã com finalidade detox estrita, esse suco será nutracêutico.
Quando há apenas redução de riscos, proporciona bem estar (melhor desempenho) e não envolve uma dieta especial, o alimento é considerado funcional. Nestes casos, a função nutricional vem em primeiro lugar.
Mesmo envolvendo preparados industrializados contendo por exemplo o trio andino, linhaça, hibisco, noni, granberry e muito mais, em pequenas quantidades não se configura nutracêutico.
Carotenoides e flavonoides presentes numa alimentação cotidiana são considerados funcionais. Se forem isolados ou consumidos em quantidades exageradas para maior absorção visando apelo médico, passam a ser nutracêuticos.
Quando envolve a farmacologia, fermentação e micro-organismos ou chás concentrados é nutracêutico. Nestes casos, a função nutricional se torna irrelevante, trata-se de alimentos-medicamentos e podem requerer acompanhamento profissional.
Evitar a síndrome metabólica pode ser uma atitude baseada em alimentos funcionais. Combater a síndrome instalada com acompanhamento médico e dieta restritiva pode envolver apoio de nutracêuticos.

Cargos, cargos...

Mais seis cargos foram criados no nosso Departamento de Educação. Ser professor é uma boa para quem gosta de subir, já que aqui não é a Finlândia e a educação é focada nos poderosos especialistas.
Coordenador Pedagógico, Diretor de Escola (com seu vice), Assistente Pedagógico, Supervisor de Ensino, Assessor Pedagógico e sei mais o quê. Só de minha escola, duas estão debandando - a diretora e uma professora.
Então: a vice (que adoro) virará diretora; a coordenadora (que simpatizo muito) será vice. E quem prestará concurso interno para coordenar 24 professoras tão complicadas quanto os 500 alunos (pois são humanas) e ainda abrandar pais que estranham a pedagogia atual?
Para quem dobra período (tem dois cargos) não compensa financeiramente. Quem está em período probatório (de três anos) não pode. Quem está a alguns anos da aposentadoria não tem pique para aprender tanto...
Adoro cumprir minha missão com as crianças e passar o mais desapercebida possível; também preferiria dois cargos (com duas aposentadorias integrais) de professor a ser um especialista numa escola tão grande e cheia de desafios.
Eu já fui coordenadora da creche aqui próximo por dois anos e pouco. Desisti. Problemas demais e acúmulo das funções de diretor, secretário, inspetor de alunos. Muita responsabilidade, falta de tempo, dificuldade com funcionários públicos rebeldes e politicagem envolvida. 
Voltei para a sala de aula, cujo salário não é tão inferior assim e meio dia estou liberta. Dobro período na oficina do Par, ajudando-o e cuidando de sua saúde e evitarei me meter neste angu novamente.

19.11.14

Lambendo a ferida


Desde o dia onze (outra terça) eu estive praticamente lambendo a chaga da queimadura...
Estacionei a moto num aclive apertado e ao descer, já no chão me desequilibrei e encostei a parte traseira da perna no escapamento. 
Foi questão de segundo! Bermuda e moto não se combinam. Se estivesse de calça comprida, nem teria notado.
Senti a fritada e olhei aquela marca branca, pele removida. Na hora nem dei tanta importância, não dava para ver direito e não doía tanto. Eu sinceramente imaginei que se fosse grave, doeria muito mais. Eu já queimei a trinta anos atrás e foi tão simples, a cicatriz sumiu logo!
Fiz a compra no mercado, voltei e guardei. Pesquisei na Net e vi a necessidade de cuidados especiais: eu deveria ter usado o sanitário do mercado para lavar e sobretudo fazer o rescaldo - imprescindível numa queimadura para que não continue cozinhando. Já era noite, então higienizei e não passei nada.
Continuei apenas higienizando até a tarde seguinte, quando filho insistiu para que usasse nebacetin, evitando infecção. Após pesquisa, passei a aplicar a pomada.
Aprendi a observar atentamente - deve permanecer vermelha, tipo carne viva mesmo. Se escurecer é risco de gangrena e requer médico; se esbranquiçar (a seco) é infecção, médico também.
No domingo ainda estava "bonita" (saudável), em carne viva, vermelhinha, e consegui retirar com cotonete a pele morta que sobrou na beirada superior.
Cuidei tanto no sábado e domingo, que cometi um SEVERO erro - excedi na quantidade de pomada. Aquilo foi umedecendo muito.
Logo conto sobre o médico...

16.11.14

Saí da idade da pedra...

Eu vivi treze anos na roça zona rural, saí do sítio do Vovô com dez e meio, para outra propriedade. 
Era um tempo duro, sem dipirona nem termômetro, onde os "bichos" assustadores pairavam sobre a cama febril.
Era o tempo do banho em bacia de alumínio com sabão de pedra e toalha feita de saco, toda amarradinha em bicos.
Aquelas encostas íngremes, onde se plantava café, feijão e milho, entremeado à mata e ao pastão, com parcas vaquinhas caipiras que iam namorar lá nas terras do Tio Antenor, pro dono tentar progredir...
Tempos de muita chuva, muito frio e pouco agasalho. Criançada encravada na falda, que descia quatro quilômetros para ver a professora.
Tempo sem eletricidade, fogão a gás, panela de pressão ou garrafa térmica. Tempo rústico e calejado sem sofá ou colchão de espuma.
Tempo dos tampeiros de fio de arame com pano bordado, esticadinhos na parede. Tampas areadas sem pressa, um dos luxos da cozinha.
Fogão de lenha cheiroso, que defumava os moradores. Da linguiça e do toucinho, do café pro dia todo. E a lenha catada colhida deliciosamente por lá, em feixes de proseamento, pôr de sol e vento leve.
E a talha com água fresca, ou moringa ou jarrão. E a mesinha de pau, com gaveta prás "cuié". E o guarda-comidas pequeno, com o pão da semana toda. A latona de açúcar e um "saquin de sar".
Lá no quarto um banco com arroz, café torrado e feijão. O moedor perfumado que trabalha toda manhã. Liquidificador? Um pilão comunitário prá canjica e o arroz.
No paiol, o milho das galinhas, com debulhador e tudo! Na tulha, as sacas de café aguardando bom preço - o bem mais precioso e de ciclo anual.
No pasto a tesoura (mula velha) insiste, persiste. No mangueiro a porcada, e no chiqueiro os de engorda. Na bica se lava roupa, a cara e os trens. Se amola as ferramentas numa pedra sabão desgastada.
No limoeiro as galinhas fazem poleiro ao escurecer, enfeitam o limoeiro com o cacarejo e bater de asas. Se acomodam como podem e silenciam emfim. Noite fechada, olhos fechados, vento assopra a lamparina.
As abelha jataí no alicerce da casa e as arapuá na moita; o forno "de meia" com a Vovó, só usado aos sábados para o pão e nada mais. Sem leitoa, sem rosca, sem biscoito, sem broa, sem bolo. Só os pães de cada sábado...
Nas manhãs sem um relógio tudo é suposição, é treino estimar as horas e tocar a lida. A Vovó magrinha e enrugada a plantar alho, ervilha, banana maçã, palmas pro cemitério... o filho morto que não a deixa - Peter Pan a serenar.
Danone e azeitona - coisa ruim demais da conta. Carne de vaca? Imagine! Dá mais lucro o bicho em pé. Come-se o frango e o porco, que na lata se mantém. Há o peixe e a caça e pros outros dias abóbora, hortaliças.
Pessoas? Algumas, as mesmas. Novidade não se tem. Livros? Sei não... nem rádio, só crochê. Há o terreirão de café e o céu imenso de pisca-pisca. E os causos entre primos, competição - de xixi que escorre mais. 
Quase todo domingo, Vovô buscava cana, limpava e moía na engenhoca que morava debaixo da jaboticabeira, agasalhada por folha de zinco. Doce garapa, doce vida dura, tão doce!

E o peso?

Tenho mantido nos 62. Já me habituei com os alimentos, pois eu não tinha tão maus hábitos anteriormente. O que pegava eram os doces...
Começo o dia com suco verde na madrugada (dois copos sem coar); lanche saudável no recreio; sopão ou legumes com proteína no almoço, uma fruta de sobremesa. Procuro tomar água uma hora após cada refeição
Lanche da tarde bem reforçado às 16h00, com frutas, batata doce, abóbora madura adoçada, granola, castanhas, etc. e duas balas; no jantar, uma proteína ou omelete, uma fatia de pão integral ou um pouco de arroz e mel de sobremesa; um iogurte congelado na ceia e fruta leve.
Nesta semana, comprei duas berinjelas na feira, pois estavam frescas, lindas, enormes e a cinquenta centavos cada. Agora sei da importância de estar meia hora em água e sal, devido à solanina. Coloco um prato pesado sobre, para que não boiem.
 A maior, fiz com azeitonas, muito louro e cebola. Usei o próprio sal da azeitona. 
 Ficou delícia! Comi puro, com arroz e no pão integral. Agora devo comprar novamente só mo mês que vem, devido à solanina que a deixa inflamatória. Tenho medo da água de berinjela por esse motivo.
A menor, fiz com a pimentinha chapéu de palha, que também agrega um sabor incrível, contudo são dois solanáceos, então fiz no domingo e comemos com o fiotão e a namorada. 
Aqui, a primeira cheia no piscinão na esquina de baixo de casa, após longa seca. Em volta dele há a pista onde corro 4 km (5 voltas) todo dia, principalmente nos fins de semana. Ontem e hoje, corri ao clarear do dia e ao anoitecer.
O maior segredo é a rotina disciplinada, com planejamento (anotado) e organização do tempo. Toda terça vou à feira 6h00, procuro os produtores e compro intercaladamente mel, hortelã, caju, mangas, manjericão, verdura, cheiro verde, tantas frutas, legumes frescos e carboidrato bom. Peço aqueles menos sulfatados.
Não esqueço as frutas do filho, aquelas do Par, limão, gengibre e o queijo frescal.
Minha vedete tem sido a manga comum, onde guardo as cascas para o suco verde, pois são orgânicas, do quintal do produtor. As mexericas estão no fim, mas ainda há laranjas, que consumo picadas com casca, descartando só parte da casca, rica em flavonoides. 
Não ingerir líquido nas refeições (nem água) é fundamental, e mexer o corpo ao máximo. É importante não confundir vontade de comer com sede ou fome, isso é um treino. Se aprofundar na teoria ajuda a manter o foco e fazer melhores escolhas.

Agradável



Após toda a primeira metade de novembro ter sido abençoadamente chuvosa, o dia amanhece estupidamente azul e com 15 graus de temperatura.
A Cidade está silenciosa, o "Fiotão" em Ilhabela com a namorada, fazendo um fim de ano antecipado, visto que trabalhará muito na fábrica de avionetas e precisa adiantar a monografia da especialização.
Levantei de madrugada, confirmei com o "Par" se pedalávamos, me paramentei e ele desistiu - o joelho dói... não chega o tal esporão? Ano passado este joelho doeu por meses. Corri 4 km às 6h00, visto que 5h30 já estava clareando. 
Às 7h30 assisti "A família Walton". Eu amo essas séries que retratam um cotidiano familiar simples e trazem reflexões importantes, tipo "Os Pioneiros", onde li todos os livros (quase de memórias) de Laura.
Assim como em outras séries da história americana, fico acalentada voltando no tempo e vivendo cotidianos menos galopantes, num estilo de vida próximo `a minha própria infância, embora este tipo de trabalho tenha também sua ideologia. 
Sonho em ler o livro de memórias "Spencer’s Mountain" de Earl Hamner Jr., onde ele narra a vida de sua numerosa família vivendo na montanha durante a crise da década de 1930, porém não achei em português.

15.11.14

Corrigindo provas...

Me deparo com cada coisinha nos textinhos espontâneos! Vários alunos escrevem da forma coloquial e no dialeto caipira: "arvi", "xicra", "apá" (pá de lixo), "borsa", "brusa", "ponhá" (colocar).
Depois de uma comunicação oral sobre "Papai Noel", a maioria escreveu que se trata de uma fantasia que uns homens vestem, tipo homem-aranha... alguns contestam inconformados.
Eu não me meto, deixo fluir. Afinal, os mais novos só completam sete anos em março! E apesar de não acreditarem, os pedidos de presentes são suntuosos para as posses dos pais.
E assim o ano letivo se esvai... mais cinco semanas de aulas e há tanto que aprender! Estou me atendo aos jogos, sobretudo do campo aditivo e dezenas.
O sistema de numeração decimal é complicado para esta faixa etária. Apenas com atividades concretas começam a perceber que o número um pode valer 1 ou pode valer 10, dependendo do lugar que ocupa.
É interessante saber que no Brasil todo, devido ao curso "Pacto Nacional para a Alfabetização na Idade Certa"", se usa um "tapetinho" com palitos amarrados para dezenas e se diz:
_  Eu te autorizo a jogar!
E já me aperta o coração ter que deixar uma turma tão gratificante, vinte e duas fofurinhas. Tive sorte demais este ano; coisa rara. Nenhum caso de TDO, que emperraria toda a rotina de trabalho, como acontece na sala ao lado...

"Terrorismo manso"

Resultado de imagem para imagem paz Há tantas filosofias alimentares, umas radicais, outras abusivas, outras que se consideram superiores, aquelas que não matam o pé de alface por ele ser um bebê como outro qualquer... é que quando a alface chega à puberdade, solta um pendão inflorescente e fica dura, amarga, com muito leite - ruim de comer.
São seguidas por motivos também diversos: metabólicos (intolerâncias), éticos, ecológicos, saudáveis, culturais, espirituais, pelo próprio paladar. Se abrirmos o leque opcional desde o onívoro displicente até o vegano altamente restritivo, encontraremos meio-termos interessantes.
Eu mesma tento fazer "terrorismo manso" com o meu Par em relação a alimentação que considero saudável, todavia ele não cai nessa e prefere os seus saborosos. Cada um no seu cada um...
Onívoro: é o indivíduo que aceita qualquer tipo de alimento na sua dieta (o grosso da população). Geralmente é olhado atravessado pelos outros grupos - o lixão;
O semivegetariamismo é uma prática onde se consome carne em apenas três almoços semanais, evitando ainda aquelas vermelhas, embutidas ou gordurosas. Não envolve a ética do "matar bicho" e sim a saúde. Um pão com frios deveria ser trocado por queijo frescal, ovo, ricota ou pesto. Este rótulo pode incomodar os extremistas;
Ovolactovegetariano: é o vegetariano que inclui ovos, leite e laticínios com bastante frequência em sua alimentação (abusa de queijos, iogurtes);
Lactovegetariano: é o vegetariano que não se alimenta de ovos, todavia usa abertamente laticínios em geral;
Ovovegetariano: é o vegetariano que não consome laticínios (geralmente por intolerância alimentar ou precaução) mas consome ovos regularmente;
Vegetariano estrito : não ingere nenhum derivado animal, nem mesmo o mel. É também conhecido como vegetariano limpo ou puro (exclui-se totalmente produtos preparados com ovos e leite);
Crudivorismo: utiliza alimentos crus, ou aquecidos no máximo a 42oC. Alguns podem aceitar leite cru, gemada  e carne crua. Brotos e sucos (como o verde) são comuns.
Frugivorismo: vegetariano estrito que utiliza apenas "frutos" na sua alimentação. Conforme definição botânica, inclui cereais, certos legumes, oleaginosas e as frutas tradicionais.
Vegano: é o indivíduo vegetariano estrito que recusa  a utilização de insumos animais não alimentícios, como roupas, móveis e acessórios de couro, lã e seda, assim como quaisquer produtos testados em animais (cosméticos, medicamentos).
Macrobiótica: de origem oriental, leva em conta os princípios yin e yang (comida mais "fria" e mais "quente") 
é uma filosofia e não dieta, podendo ser vegetariana ou não, contudo focada em carnes brancas. Usa cereais integrais, carboidratos superiores, leite apenas cru (direto da fazenda orgânica), ovos caipiras, se preocupa com antinutrientes e faz consumo bem reduzido de frutas e preparados doces.
Como assim, restrição a frutas? Elas são majoritariamente Yin (frias - negativas) e são melhores para pessoas puxadas à energia Yang. 
Eu  também sou considerada propensa à yin e deveria ingerir alimentos propensos à energia yang para estar em equilíbrio: Folhas, laranja, caju, goiaba, damasco, nectarina, trigo integral, alface, repolho, alho-poró, grão-de-bico, rabanete, nabo, cebola, salsa, cenoura, agrião, linguado, atum, salmão, camarão, sardinha, pato, peru, ovos, leite, queijo, amêndoa, azeitona, óleos vegetais não refinados, alecrim, malte, chá, vinagre, mostarda, baunilha, açafrão, sal marinho (não refinado). Viu que quase não há frutas? 
E quais alimentos evitar? Os de energia mais yin: Raízes, caules, melão, grãos, beterraba, berinjela, maçã, pera, uva, banana, abacate, mamão, milho, centeio, aveia, cevada, tomate, pimentão, fava, pepino, aspargos, espinafre, alcachofra, abóbora, cogumelos, ervilha, alho, couve-roxa, couve-flor, lentilha, polvo, pescada, truta, porco, vaca, iogurte, nata, manteiga e margarina, mel, açúcar, café, vinho, cerveja, chá-verde, tília, hortelã-pimenta, camomila.
Nutrição ayurvédica: de origem indiana, com princípio holístico dos alimentos, usa temperos e especiarias (massalas - cúrcuma, cominho, coentro, pimenta caiena, cardamomo, semente de mostarda, canela, gengibre) como remédios e alimentos cozidos ou levemente refogados. 
Prima pelo jejum; monodietas de desintoxicação; almoço reforçado, suprindo 80% do estômago (duas mãos cheias) e outras refeiçoes leves a cada quatro horas. Não se ingere líquidos, nem frutas / sobremesas com refeições.
Usa manteiga ghee, soro de leite,  mel, rapadura. Forças interiores  kapha (água e terra); Pitta (fogo e água); Vata (éter e ar) equilibram corpo e mente.
Restrições: fast food; carnes (vermelha, de soja, suíno, embutidos, frutos do mar); frituras; gorduras; congelados, curados, fermentados, rançosos, requentados, aquecidos no micro-ondas e industrializados; sucos congelados de fruta; leite, sorvete e sobremesas geladas, margarina, cogumelos; levedo; banana; álcool; cebola; alho; picles; queijos maturados por fungos; enlatados; medicamentos sem receituário; cigarro. 
Com exceção do onívoro, todas essas formas alimentares primam por produtos orgânicos e frescos.

Seis princípios

O Guia Alimentar para a População Brasileira é um documento NOSSO e deve ser amplamente explorado. Para baixar PDF e deixar "à mão" na tela do PC, clic aqui. Ele segue seis princípios orientadores, eis um breve resumo:
O primeiro preconiza que saúde é mais que ausência de doenças, é pleno bem-estar físico, mental (emocional e espiritual) e social. As atividades físicas diárias (meia hora), ciclo regular de sono e vigília e ingestão de água entre refeiçoes complementam a alimentação.
O segundo prega que alimentação é mais que ingestão de nutrientes e combinação de alimentos, envolve dimensões sociais e culturais do ato de comer. Sempre que possível, fazer do ato de comer uma celebração conjunta. Planejar piqueniques junto à natureza com familiares ou grupos de amigos é chique, saudável, econômico e faz bem à alma!
O terceiro aponta a interdependência entre padrões saudáveis de alimentação e sistemas alimentares sustentáveis, que protegem e respeitam o ambiente natural de onde os alimentos são obtidos. Comer com consciência, preferindo pequenos produtores locais e fazendo recolecções / hortinhas sempre que possível.
O quarto indica que o acesso à informação esclarece consumidores, induzindo a melhores escolhas e empodera cidadãos para atuar politicamente em prol da alimentação saudável. Devemos lutar por orgânicos.
O quinto lembra que recomendações feitas por guias alimentares devem envolver múltiplas evidências e várias fontes, sendo geradas por conhecimentos de diferentes disciplinas. É o cruzamento de informações variadas e confiáveis; artigos de universidades, teses e dissertações são enriquecedores. E ser crítico com propagandas.
O sexto princípio implica na ideia de que guias alimentares devem promover segurança alimentar e nutricional e contribuir para a garantia do direito humano à alimentação. Num país imenso como o Brasil, há má distribuição e perdas excessivas durante o percurso das mercadorias. O consumo de bens locais abranda este problema e barateia a alimentação.
Divulgue o guia, repasse seus princípios, aplique seus ensinamentos e ajude a combater a epidemia de síndrome metabólica atual!

9.11.14

Se é normal, não importa. Sou assim...

Se me dão goiabada com queijo, primeiro devoro o queijo e depois a goiabada vai sendo sugada fininho... Se há pão com presunto e muçarela, hoje vai com o presunto e a muçarela vai amanhã, sem mistureba.
Sendo TOC de tempo, me desespero se a conta vence amanhã e ainda hoje não foi paga; e se há tarefas se acumulando. Na terça e quarta já preparo as aulas da semana seguinte e na véspera do aniversário dou parabéns e lembrancinha à colega.
Não tenho TOC de perfeição, de capricho. Nunca tive. Sou organizada, sem neura e procuro sempre pagar faxineira - esse é meu pequenino luxo. Faço cozinha prática e econômica, comprando uma carne (magra) assada para complementar.
Adoro comer arroz, mas não o faço sempre. Macarrão? Raro! Sopão de carne e legumes ao almoço acalenta. Frutas devoro aos sacos, todas. Saladas não, refogados! Peixes, amo todos.
Preciso de rotina, e tem que ser ininterrupta: não falto ao trabalho, não deixo de correr aos domingos, o suco verde é de segunda à segunda, acordo invariavelmente às 4 h 30 sempre, os passeios são parecidos. Sair demais da rotina me estressa; ir na casa dos outros me estressa (sinto que incomodo). Passear num local seguro onde só há estranhos me relaxa, me amansa, me dá um anonimato gostoso.
Se quebro conscientemente uma certa rotina antiga, dificilmente retomo. Se retomo, é totalmente repaginada. Não visito antigos empregos, não volto ao passado. 
Evito mudar de mercado; é mais rápido pegar tudo onde estou acostumada, mesmo que me bloqueie das variedades. Gosto de lista de compras e não estoco demais. Prefiro ir a cada dez dias apenas.
Não sou habituada a usar salto e maquiagem no dia a dia; as professoras não são. Prefiro roupas e calçados confortáveis, e uma base nas unhas; faço meu próprio pé. Não troco de brinco - há um par de brinquinhos de ouro que não tiro das orelhas. Anéis me incomodam, e colares compridos.
Levo meu piquenique por toda parte - adoro! E gostaria que a moda pegasse. Prefiro restaurante por quilo, então escolho os saudáveis na quantia certa. Não bebo nada em restaurante, assim como em qualquer refeição.
Devoro umas gordices calculadamente, sobretudo doces. Nunca fumei ou bebi; aprendi a dirigir mais tarde, próximo aos 30, e anos depois, fui pilotar moto, que amo; pondero a praticidade, economia e perigo!
Desperdício me corrói. Uso todos os toquinhos de giz. Não faço crediário, a menos que seja um carro, um terreno, uma máquina para a oficina. Jamais comprei sapato à prestação - acho loucura besta.
Prefiro poucos amigos. Em casa, gosto da Net, livros, TV( prefiro assistir sozinha, escolhendo) e crochê - na ordem. Adoro ficar sozinha após um dia cheio e prefiro lavar a louça na madrugada seguinte. Acordo sempre feliz!
Gosto de todos os meus trabalhos; gosto de trabalhar, mesmo que algumas tarefas sejam complicadas, chatas ou estressantes. Amo férias coletivas, assim a volta é mais serena.

Livros lidos... doar, trocar ou esconder?

Mais uma edição, onde os livros devem criar vida própria e se locomover entre pessoas que possam desfrutá-los.
Não estou doando, mas sim recebendo uma sacola cheia deles. Minha colega escolheu os mais smilinguidos para me presentear. 
Ao ler, levarei um a um à lojinha de usados no anexo da igreja do bairro, onde minha mãe é voluntária. De lá, eles alçam voo rapidinho, num preço simbólico de cinquenta centavos (em ajuda à Pastoral da Saúde). 
Minha prima da zona rural também leva alguns, ela adora ler e não tem acesso. E você, como faz para dar vida aos livros abandonados na estante?

Hormônios - nossos generais!

Quando as feministas mandam dar bonecas aos meninos e colocar meninas no futebol, elas se esquecem que são os hormônios que regem este departamento. Por volta dos nove anos de idade, garotas recebem doses extras de testosterona, precedendo a puberdade.
Me lembro desses rompantes de agressividade, força, uso de carrinho de rolemã e enfrentamento aos meninos, tão diferentes de meu comportamento habitual (fiquei machona), que fizeram sentido na aula de neurociência que tive com Ivan Capelatto.
A adrenalina também é expelida em doses generosas, porém por toda a infância - por isso crianças são tão felizes, se contentam à toa, vivem criando brincadeiras. Por volta dos dez anos ela começa a diminuir e na puberdade o comportamento muda drasticamente, adicionando-se outros hormônios.
Aquela criança meiga, animada, cheia de sonhos e desenvoltura corpórea, se transforma num sisudo adolescente desanimado e com manias. É que já passou a vulnerável fase infantil e está na hora de se virar sozinho, então a dose extra se esvai - vem o risco do uso de substâncias para repor o natural prazer perdido.
A ocitocina, hormônio do amor, é o verdadeiro nome do extinto "instinto materno". Ao olhar o filho pela primeira vez, começamos a produzir ocitocina para o bem cuidar - e nos escravizamos aos bebês, dando-lhes inclusive mais do que necessitam. 
A adoção, cuidados com animal doméstico e até mesmo a paixão doentia envolvem ocitocina, que amplifica sentimentos. O pai que cuida do bebê também secreta ocitocina, daí a importância da licença maternidade (mas não para ficar no bar comemorando). 
A melatonina e cortisol controlam nosso ciclo de sono e vigília, portanto é crucial mantermos uma rotina disciplinada mesmo aos fins de semana, sem trocar o dia pela noite. Se dormirmos mal, a melatonina passará o dia brigando com o cortisol e o cansaço crônico se instala, assim como ficar acordado à noite gera estresse adicional (trabalho noturno). 
Dentre tantos, há o glucagon que metaboliza carboidratos, aumentando a glicemia e contrapondo-se à insulina (outro hormônio vital) O antidiurético, se descontrolado, pode causar diabete insípida (incapacidade renal de controlar a química da urina). O paratormônio aumenta a absorção de vitamina D, influi no cálcio e fosfato.
A tiroxina tem a ver com a tireoide e sua disfunção - hipo ou hipertiroidismo, além de causar bócio (papo) e deficiência visual (com olhos saltados), causa ansiedade, cansaço ou insônia, tremores, aumento da sudação, falta de ar, alteração de peso.
Somatotrofina é hormônio do crescimento, produzido pela hipófise e atuando na massa muscular e prolongamento ósseo. Repõe células e também causa acromegalia: crescimento exagerado de pés, mãos, orelhas e nariz em homens idosos. Pessoal de academia aderiu, contudo pode haver efeitos colaterais...
A prolactina é responsável pela lactação. Nas vacas, é injetada artificialmente, associada ao hormônio do crescimento para mantê-las mais tempo em ordenha, inclusive enquanto grávidas, prejudicando o leite que compramos. Há quem acuse aumento do crescimento de possíveis células cancerígenas!
O estrogênio e progesterona, bombas femininas, fazem com que após a puberdade tenhamos as quatro estações do ano dentro de nós em quatro semanas.
A fase lútea, após o período fértil,  é marcada pela progesterona. Equiparada ao outono, ocasiona mudanças emocionais, insônia, cansaço e introspecção. A mulher se sente feinha e gorda, vê defeitos em seu homem; uma necessidade desesperada por doces se instala. Quem é acometida por TPM, é no final deste "outono" (semifase pré-menstrual) que ela se manifesta. É uma longa fase em torno de doze dias, incluindo-se os dias pré-menstruais.
O inverno é a fase menstrual, onde o endométrio é eliminado e a mulher se acalma, fica leve. No primeiro dia menstrual a falta de apetite é visível, passa-se horas sem comer e a fome não vem. Os hormônios Luteinizante (LH) e Folículo Estimulante (FSH) passam a ser secretados para "incubar" o óvulo, aumentando os níveis de estrogênio até a ovulação. Dura em média cinco dias.
A fase proliferativa é a primavera, preparação para fecundar, onde a mulher é mais indulgente e se enfeita mais, usa salto e maquiagem à toa, fica em frente ao espelho se achando linda, compra roupas e acessórios e procura passeios /encontros com intuito de acasalar; e o estrogênio aumentando... Dura em média uma semana.
No verão menstrual, um "esguicho" de Hormônio  Luteinizante (LH) e Folículo Estimulante (FSH) libera o óvulo para possível fecundação, durando aproximadamente quatro dias. Encerrada a última das quatro fases, todo esse ciclo se refaz, acionando a "montanha russa" hormonal / sensorial.
Meu próprio ciclo se iniciou aos onze anos, e agora aos cinquenta, continua regular, estável, absolutamente normal. Eu poderia ter tido vinte bebês... De certa forma os tenho em sala de aula. 
Será que o convívio diário com a vivacidade das crianças induz hormônios que retardam nossa menopausa?
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8.11.14

Um gênio sob a batina

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Este ilustre brasileiro, o quarto filho de uma "ninhada" de quatorze - algo comum à época, uniu o sacerdócio à ciência - também algo comum à época, visto que o mundo acadêmico - científico era restrito a poucos, incluindo os clérigos.
Nascido no Rio Grande do Sul, percorreu várias cidades do interior de São Paulo, inclusive Caconde, aqui pertinho. Sendo padre e cientista, se via obrigado a migrar de paróquia devido ao incômodo tanto de certos beatos, quanto de superiores enciumados de sua genialidade.
Sua maior proliferação inventiva ocorreu entre 1890 e 1928. Desenvolveu teórica e pragmaticamente equipamentos que possibilitam as transmissões primogênitas da palavra falada, através de ondas eletromagnéticas dispensando a utilização de fios. 
Landell era um inventor-fazedor! Não dispunha de um ajudante sequer, mesmo para as tarefas mais artesanais. Criou protótipos para o rádio e telefone sem fio.
Tal feito foi creditado à época ao italiano Gugliermo Marconi, e até hoje não se reconhece a supremacia de Landell. As condições gerais para incubar ideais tão vanguardistas num país sul americano eram infinitamente inferiores a um país europeu.
Diferentemente de Santos Dumont, não se estuda Landell nos bancos escolares, e talvez nem mesmo em determinados cursos de jornalismo e engenharia na área comunicativa. 
A diferença gritante entre as duas patentes é o fato de que Marconi transmitiu apenas sinais e Landell transmitiu voz humana real através de luz, somando-se ao telefone e telégrafo.
Muitas razões convergiram para o não reconhecimento de sua obra como primordial, dentre elas, a suposta falta de apoio de seus superiores imediatos e sobretudo do próprio governo brasileiro e sua incipiente comunidade científica.
Resta ao menos conhecermos um pouco deste que encontra-se dentro os nossos maiores inventores: Um livro especial que retrata o cientista é "O incrível Padre Landell de Moura" de Ernani Fornari, encontrado apenas em sebos.
Outro livro intitulado "Brasileiro, Gaúcho, Um Gênio Diferente: Landell de Moura" do autor Ivan Dorneles Rodrigues, é bastante amplo e mais recente.

5.11.14

Normalidade

Após a seca, estamos voltando às condições pluviométricas normais  para a época. Esta bela foto demonstra o ponto azul bem sobre a cabeceira do nosso rio Jaguarimirim, que nasce em Minas Gerais e escorrega para cá.
O rio corta a zona rural e urbana de nosso município, sendo tão sagrado, que consta da bandeira, em forma de uma larga listra prateada.
Todo esse ponto azulado encontra-se sobre o "Complexo Alcalino de Poços de Caldas" (foto abaixo), fazendo o rio contorná-lo de leste a noroeste.
Eu vivo à borda desse imenso vulcão inativo (borda oeste - esquerda na foto). Extinto ele não é, pois expele água quente de odor fétido (de ovo choco - apesar de límpida e pura) no centro da cidade de Poços de Caldas- a Fonte dos Macacos.
Toda esta região é rica em água mineral devido a ele - o "Complexo Alcalino" (que não é exatamente um vulcão), popularmente chamado "Vulcão São Domimngos". São inúmeras fontes e cursos d'água brotando desta área oval em forma de panela.
Se eleva,  parecendo um imenso queijo frescal todo temperadinho com ervas e especiarias raríssimas.
Os minérios (explore as diversas páginas) são inúmeros: bauxita-alumínio, molibdênio, urânio, bomba vulcânica, lircônio, etc. Ao passear pelas trilhas da cratera, vemos nos barrancos cores terrosas que vão do branco ao laranja, do rosa ao roxo e azul. No chão, há veios negros feito ébano, denunciando escorrimento de lava.
Um desequilíbrio ambiental vem sendo causado pelas mineradoras e sobretudo florestas de eucalipto dentro e no entorno da cratera - um deserto verde. Local sombrio e monótono, onde nem passarinho faz ninho. Fauna e flora estão sendo extintos ou expulsos.
Região belíssima onde fica o "Pico do Gavião", um dos três melhores pontos para prática de voo livre do Brasil. Encontra-se na borda sudoeste, no centro deste "bumerangue".
Não é lindo o nosso vulcão complexo alcalino? 

4.11.14

Cervo almiscarado

produtos-exoticos
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O almíscar é um perfume que possui versão sintetizada. A versão natural, entretanto, é extraída d'uma glândula no abdome do cervo, sacrificando-o para tal e colocando-o em risco de extinção.
Possivelmente usada para fins sexuais e demarcatórios enquanto na natureza, ao cair nas mãos humanas tornou-se fonte de cobiça e barbárie. Seu perfume é o mais potente e mais persistente que existe, conferindo robustez e longevidade às essências.
Devemos repensar o consumo dos produtos que contenham a essência natural, visto que a fauna selvagem está encalacrada no processo de fabricação.
Outros animais almiscarados além dos cervos, quando não sacrificados, são capturados e podem permanecer até por mais de uma década presos em gaiolas, sendo manipulados apenas para retirada da secreção que produz o perfume.
São torturados no cativeiro para que ocorra a contração involuntária da glândula, onde o precioso néctar é raspado com espátula esporadicamente. A prática ocorre sobretudo na Ásia, mas não só.
Para não nos lambuzarmos com gotículas de tortura, piores que a própria morte desses animais, devemos observar a procedência de fragrâncias com musck, almíscar, almiscarados, âmbar e ambarados, mesmo que o perfume não faça menção às essências no nome.

Perfume Chanel Nº 5 Chanel 100ml - edt (fonte)
Perfume Feminino Lançamento 1921
Notas do perfume: Neroli, ylang ylang, bergamota, limão, aldeídos, íris, orris root, jasmim, rosa, lírio do vale, vetiver, almíscar, sândalo, patchouli, baunilha, oakmoss, âmbar e civeta.
Fragrância do perfume: Floral Floral
Origem do perfume: França, Paris

Empoderamento


E se eu vos disser que no cérebro existe uma pequena estrutura que comanda a motivação?
Independentemente do resultado, passadas as eleições, me recordo saudosa daqueles octogenários de ambos os sexos que empunharam seu título eleitoral com todo o poderio que o documento acarreta e foram à urna em que trabalhei.
Mesmo sendo o voto uma árdua competição (incivilizada), havia tanta cooperação dos votantes para que esses ilustres brasileiros passassem à frente e lhes fosse dado todo o tempo que uma assinatura possa demandar.
Ao final do pleito, numa última tentativa de agarrar o poder, viu-se aquela história de Brasil dividido, que perdurou poucas noites. Nossa unidade nacional é nosso bem maior, nos fortalece e deve ser preservada.
Então, agora procuremos um consenso para que o diálogo construtivo e a reversibilidade de pensamento prevaleçam na política. Há tantos Conselhos Populares instalados pelo país; a participação pública é um ato trabalhoso e rico, que supera o simples instrumento de poder votante e parte rumo à cidadania.
Assim como a mídia é considerada o quarto poder, feito um ruidoso cão de guarda do país, façamos dos Conselhos o nosso quinto poder, qual um inteligente e estratégico cão-guia dos valores éticos.
No poder de voto, vence a maioria, deixando um rastro de minorias desiludidas e rancorosas. Caso haja diálogo democrático e intercâmbios convergentes, venceremos todos em prol de um único e robusto Brasil. O jogo competitivo acaba aqui e inicia-se a imprescindível cooperação mútua.
Ambos os candidatos eram e continuam sendo grandes autoridades políticas, com responsabilidades daí advindas. Mantêm-se nos postos de trabalho que já  exerciam e dali devem transparecer-se como verdadeiros representantes do seu povo.